Ivan Santos*

Começa hoje o ano legislativo na União, nos Estados e nos municípios. Para o presidente Bolsonaro, que começou a governar no mês passado, a partir de hoje é preciso organizar uma base de apoio que o ajude a governar. O presidente, quando foi candidato, disse que não faria acordos com a velha política. Foi um discurso de campanha. Bolsonaro constituiu o governo com independência sem assumir compromissos com partidos. Também prometeu dialogar com bancadas temáticas no Congresso e não com os caciques. Neste sentido fez uma solene declaração de intenções, embora saiba que os mandatos dos deputados e senadores pertencem aos partidos. Se um partido fechar questão diante de um tema em discussão, um parlamentar não é diferente. O experiente político Jair Bolsonaro, que passou 27 anos na Câmara Federal, transformou a articulação política do governo num bicho de sete cabeças. Os deputados e senadores novatos que assumem hoje o mandato e os veteranos, ainda não sabem quem será o articulador político do Governo, se o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni ou o ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Santos Cruz. Na dúvida, cada parlamentar só se sentirá seguro se acertar acordos para aprovar projetos do governo se acertar acordos com o chefe supremo. Tem ainda outros ministros palacianos que falam pelo presidente: Gustavo Bebiano e o general Augusto Heleno. O ministro Onyx já disse que vai convidar três ex-parlamentares para reforçar as articulações com os congressistas. Negociações políticas costumam ser movimentadas e difíceis. Nas mais intrincadas, a movimentação pode se arrastar por semanas ou meses, mas um dia chega a hora de acertar um pacto. Para isto a articulação precisa seguir uma lógica tradicional em política: se mexer muito não sai. Talvez por isto o poderoso ministro da Economia, Paulo Guedes, que des3eja aprovar no Congresso duas reformas essenciais para o Governo, decidiu apoiar uma reforma no Senado com a eleição de Renan Calheiros para presidente. O influente ministro Sérgio Moro assiste à negociação e se cala. Bolsonaro finge que de nada sabe. Essa jogada visa também eleger Rodrigo Maia para presidente da Câmara. Isto para cumprir a promessa de renovar o processo político no Brasil. Lindo, né? O que distingue hoje o presidente Bolsonaro dos velhos políticos é a capacidade de magnificar a confusão antes de enxergar o problema. O ilustre presidente dos brasileiros já disse que não vai negociar com partidos; só negociará com bancadas temáticas. Bancadas. Negocia também com novos e modernos políticos, entre eles Renan Calheiros (MDB) e Rodrigo Maia (DEM). Se as pessoas, em breve, começarem a sentir saudade de Michel Temer é porque se sentirão num beco sem saída.

*Jornalista

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