Ivan na Santos*

Antes de completar um mês no governo o presidente Jair Bolsonaro fez a primeira viagem para o exterior e deixou no País desavenças no próprio Partido, o PSL, cujos deputados recém-eleitos, a maioria sem experiência parlamentar, desfilam pelas redes sociais malvistos por vários internautas porque foram conhecer o governo comunista da China. O presidente também enfrenta um mal-estar incômodo com revelações públicas de indicações de malfeitos que teriam sido praticados por um de seus filhotes, deputado estadual no Rio de Janeiro e senador eleito. O governo não tem responsabilidade no caso, mas o envolvimento de um Bolsonaro numa história suspeita gera falatório nas redes sociais e incomoda o grupo político que elegeu o presidente que prometeu acabar no Brasil com todo tipo de corrupção e malfeitos nos serviços públicos. O caso tem a feição e a aparência dos escândalos que desgastaram os governos do PT-PMDB chefiados por Lula e Dilma.
Nos arraias da Terra Brasileira o assunto preferido neste momento não é a reforma da Previdência a ser conduzida pelo novo governo nem o anúncio de medidas para reaquecer a economia e gerar empregos para mais de 12 milhões de desempregados. É a movimentação atípica de dinheiro nas contas de um assessor do deputado estadual Bolsonaro, do Rio de Janeiro, filho do Presidente da República. O presidente viajou ontem para a Suíça e deixou no Brasil dois focos políticos acessos que se não forem bem cuidados por hábeis articuladores políticos, poderão queimar muita gente ou atrapalhas as pretendidas reformas estruturais pretendidas pelo governo: a eleição do presidente da Câmara e a do presidente do Senado no dia primeiro de fevereiro. OO cenário atual indica que na Câmara o deputado Rodrigo Maia (DEM) e no senador, o senador Renan Calheiros (MDB) serão os eleitos. Nenhum deles é da base política do presidente Bolsonaro. Renan poderá ficar perigoso se decidir estimular um desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PSL)na Comissão de Ética do Senado por ser hoje acusado de improbidade antes de assumir o mandato. O momento é importante para uma tomada de decisão pelo experiente político Jair Bolsonaro. Ao retornar da Suíça, Bolsonaro deveria cortar os laços políticos com a família dele, fortalecer um porta-voz para falar por ele e dedicar-se às reformas para reconstruir a estrutura desmontada nos últimos anos. Esquecer por um bom tempo das fofocas nas redes sociais e cancelar a página do presidente da República no Twitter. Este meio de comunicação foi bom para ajudar a eleger o presidente, mas pode não ser suficiente para a comunicação do governo com a sociedade.

*Jornalista

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