Ivan Santos*

O folclore político mineiro é dos mais ricos do Brasil e o lendário deputado José Maria Alckmin, amigo de infância de Juscelino Kubitschek, foi um dos personagens dos mais famosos. Como Juscelino, Zé Alckmin, aos 20 anos de idade foi telegrafista, profissão que exerceu para manter-se enquanto estudava Direito em Belo Horizonte. Mesmo com rara inteligência, tinha pouco brilho social. Era franzino, com 1m 59 de altura, mas estudante brilhante e aplicado. Lia todas as publicações que encontrava à frente – dos ensaios de Erasmo, às bulas de remédio. Era um gajo extrovertido e espirituoso. Certo dia, Juscelino o apresentou a uma garota linda, alta (mais de 1m75), simpática, de forma corporal perfeita. Alckmin, prontamente apaixonou-se por ela. Elogiou-a e, durante uma semana deu-lhe presentes com a intenção de conquista-la. A moça fechou a guarda, esquivou-se, manobrou como pode até que um dia, sem saída diante do cerco armado por Cupido perdeu a paciência e despejou: “Vê se te enxerga Zé Maria! Cresça e apareça!”. Então, de repente, o enigmático mineirinho, sem perder tempo, de repente falou firme: “Crescer eu não garanto, não; só garanto outras coisas”. A moça entendeu e ficou vermelha, perdeu o fôlego e retirou-se; nunca mais se aproximou do mineirinho namorador, audacioso, espirituoso e enigmático. As histórias desse personagem da política das Minas enriqueceram o famoso folclore político dos enigmáticos viventes das Minas Gerais. Em Minas e na corte (Rio de Janeiro) José Maria Alckmin (1901-74) foi reconhecido por gregos e troianos como um interessante e original articulador políticos. Foi uma das raposas ágeis e manhosas do pragmático PSD mineiro e destacou-se na política como deputado estadual, federal, ministro da Fazenda de JK, vice-presidente da República de Castello Branco e ator dissimulador. No tempo em que os políticos cuidavam especialmente de política, José Maria Alckmin esforçava-se para permanecer anônimo. Raramente concedida entrevistas. Dizia sempre que de nada sabia, que precisava de autorização superior para falar. Era a representação da “matreirice”. Quando apertado dizia: “Eu não sou contra nem a favor; sou antes pelo contrário”. Quando adulto, formado, militante no velho PSD, o astuto Doutor Zé Maria recebeu a vista do filho de um velho amigo dele. Ao se despedir falou: “Lembranças pro seu pai!”. “Meu pai já morreu, doutor Alckmin”, respondeu o rapaz. Então Alckmin, prontamente, saiu com esta, sem titubear: “Morreu pra você, filho ingrato! Ele sempre continuará vivo no meu coração”!

*Jornalista

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