Antônio Pereira da Silva*

Nasceu na Itália, Tortorella, província de Salerno, em primeiro de julho de 1885. Veio para Monte Alegre e, de lá, para Uberabinha. Casou-se com Maria Severiana de Castro Cunha, filha do cel. Severiano Rodrigues da Cunha. Enviuvou em 1910, casou-se com a cunhada, Cornélia de Castro Cunha. Vasco Giffoni, seu filho, que foi Prefeito, era filho do primeiro casamento. Carmo abriu uma selaria. Admitiu Joaquim da Fonseca e Silva como sócio e formaram um atacado para Minas, Goiás e Mato Grosso (Carmo Giffoni & Cia). Em 1919 admitiu outro sócio, o cel. Virgílio Rodrigues da Cunha, e a firma passou a ser Cunha, Giffoni e Cia. Fonseca era o gerente. Trabalhavam com eles: Galeano Torrano, Agesileu Pascoal Greco, Waldemar Carneiro e Carlos de Castro Monteiro.
Foi dele a ideia de se construir um prédio específico para abrigar uma escola secundária (ginásio). Fundou a Sociedade Anônima Progresso de Uberabinha para tanto. Em 1922, o prédio estava pronto e arrendado para o Ginásio de Uberabinha. Era o “Museu”. O prédio do colégio custou em torno de 300 contos de réis (maior que a receita anual de Uberabinha).

A Câmara Municipal era composta por 7 vereadores gerais, 2 vereadores pelo distrito da cidade e 2 vereadores pelo distrito de Santa Maria.
As eleições de 1922 tiveram os seguintes resultados: entre os gerais, cinco “cocão” (Joaquim Marques Póvoa, Adolpho Fonseca e Silva, Custódio da Costa Pereira, Benjamim Monteiro e Carmo Giffoni), e dois “coió”: Ignácio Pinheiro Paes Leme e Antônio de Rezende Costa. Os dois do distrito da cidade eram “coió”: Abelardo M. dos Santos Penna e Agenor da Silva Pereira Bino. Os dois do distrito de Santa Maria eram “cocão”: Eduardo Martins Marquez e Benjamim Ribeiro Guimarães. Sete “cocão” e quatro “coió”. Nove eram sócios da Sociedade Anônima Progresso de Uberabinha. Os vereadores não eram remunerados, apenas o indicado para Agente Executivo tinha uma ajuda de custo anual no valor de 6 contos de réis (500 mil réis por mês). A posse foi a 1º de janeiro de 1923. Adolpho Fonseca, que foi o mais votado, 855 votos, dirigiu a sessão. Eduardo Marquez foi escolhido Agente Executivo. Recebeu sete votos contra quatro para Abelardo Penna. Carmo Giffoni foi eleito vice.
Abelardo Penna, representando a oposição, disse que estariam ao lado da situação para o desenvolvimento da cidade. O mandato era para 4 anos. Giffoni se propôs a redigir uma Lei Educacional para Uberabinha. Queria regulamentar o ensino fundamental e criar mais sete escolas rurais e uma noturna – apresentou essa ideia na segunda sessão, 2 de janeiro (dia seguinte à posse).
Adolpho Fonseca e Giffoni apresentaram indicação defendendo a necessidade de um Programa de Ensino Municipal. O município precisava ter um programa de ensino próprio e praticável. Requereram a nomeação de comissão de três membros para levantar as necessidades e contratar um profissional para fazer o programa de ensino municipal.
Nada foi tranquilo. Carmo e Custódio de um lado, Penna e Paes Leme do outro. Um grupo atrapalhando o projeto do outro. A imprensa acha que o ensino da roça era deficiente, mas não havia o que mexer no urbano. Preocupados com os desentendimentos, o jornal pediu que eles caminhassem juntos.
Em 7 de março de 1923, o Projeto chegou à redação final autorizando a criação de sete escolas rurais, fixação do salário dos professores em 150 mil réis – era um bom salário, subsídios para escolas particulares, exigência de concurso para preenchimento de vagas, recriação da Inspetoria Escolar, criação de prêmios anuais para os melhores professores. Criava responsáveis pela frequência e estabelecia horários, ano letivo, férias e feriados e multa pela não matrícula. Exames e notas mínimas. Proibia castigos físicos, injúrias e ameaças, condenava o método da decoração e a soletração, definia matrícula e registro, garantia a matrícula e o ensino gratuito para os alunos pobres em escolas subvencionadas pela Câmara e definia as escolas que seriam subvencionadas, constituía banca examinadora e criava a Caixa Escolar. O projeto foi elaborado pelo Giffoni.

*Jornalista e escritor

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